|
05/09/2009 | por Dario Barbosa
..................................................................................................................
No último sábado, dia 29 de Agosto, rolou na Chácara do Jóquei, em São Paulo, a terceira edição do GAS Festival, evento patrocinado pelo Guaraná Antarctica e voltado ao público jovem, em um mix de esportes radicais, arte de rua e, claro, muita música. Para um evento deste porte, repleto de atrações, a escolha do local mais uma vez foi acertada e, mesmo sendo bem distante do centro da capital paulista, a Chácara do Jóquei possui uma estrutura apropriada e oferece ao público 53 mil metros quadrados de área. Neste imenso espaço, tivemos atividades que iniciaram às 13 horas, como competições de skate e BMX na bem equipada pista de street, duelo de b-boys, exposição de grafites e muitas outras atrações que distraíram o público antes do início dos shows no palco principal.
Os shows tiveram início às 16 horas, e a primeira banda a subir no palco foi a Marauê, vencedora do concurso “Olha Minha Banda”, do programa Caldeirão do Huck. Em seguida, foi a vez do conjunto baiano Vivendo do Ócio, banda aposta da MTV que, inclusive, está concorrendo ao VMB deste ano. O grupo, integrante do cast de artistas da Deck Disc, fez um show baseado em músicas do seu álbum de estreia, “Nem Sempre Tão Normal”.
Em meio às atrações, rolavam mini coletivas com as bandas e os principais esportistas do evento na luxuosa sala de imprensa que o evento disponibilizou. Equipada com computadores com acesso à internet, na sala era possível postar atualizações sobre o festival em tempo real, além, claro, de participar das concorridas entrevistas que rolavam. A atração maior do evento, a banda californiana Face To Face, também esteve por lá, representada pelo seu frontman Trever Keith e pelo baixista Scott Shiflett. Em poucos minutos de coletiva, o grupo respondeu perguntas relacionadas ao festival, skate, planos para o futuro e também sobre a sensação de estar de volta ao Brasil, desta vez, para um show em um grande festival.
Escalada de última hora, a banda paulistana Cine foi a próxima atração a subir ao palco. Confesso, já havia ouvido muito sobre a banda em várias mídias de imprensa e, inclusive, os garotos já figuraram aqui mesmo no ValePunk por diversas vezes. Com status de “banda do momento” e um imenso legado de fãs em todos os cantos do país, é chegada a hora de vê-los ao vivo e comprovar esse “fenômeno teen”. Com trajes coloridos e muita disposição, a banda foi a primeira a levantar o público, digo, os adolescentes, já que para aguentar a sonoridade do Cine só tendo na faixa dos 12 ou 13 anos de idade. Utilizando de uma fórmula já manjada, na linha de bandas como Hellogoodbye, All Time Low e Panic At The Disco, os meninos puseram a garotada para dançar, ao som de hits como “Garota Radical”, “Dance e Não Se Canse” e “A Usurpadora”, todos do álbum de estreia do conjunto, “Flashback”, lançado recentemente pela gravadora Universal Music.
É, não há como negar, os meninos são talentosos e sabem interagir com o público como poucas bandas. Mas utilizar o rótulo de “rock inovador” para esse tipo de música é muito para minha cabeça. Então, em meio ao show, me retirei para conferir as outras atrações que o festival proporcionava.
É impressionante como todos os aspectos são pensados pela produção do GAS Festival. Além das inúmeras atividades que rolavam simultaneamente, ainda era possível se divertir em vários videogames instalados em uma área de convivência que, inclusive, abrigava stands das principais marcas de skate, com produtos à venda a preços bem mais acessíveis que nas lojas convencionais. Claro, o bar também não poderia faltar e, como se tratava de um evento direcionado ao público jovem, era obrigatório o uso de uma pulseira com o indicativo "+18" para consumir bebidas alcoólicas. Parece burocrático, mas o sistema funcionou bem e fica de exemplo para os festivais independentes.
Voltando para a área de shows, avisto a mesma horda de adolescentes que compunham o show do Cine. Será que o show da banda colorida ainda não havia acabado? Enganei-me, o Fresno acabara de subir ao palco, para a alegria das meninas que nem precisaram esperar muito para ver mais uma de suas bandas queridinhas. Com um repertorio recheado de sucessos, os gaúchos (agora paulistanos) acenderam mais uma vez o pavio da garotada sedenta de rock radiofônico e, em meio a gritos histéricos e até lagrimas de alguns, apresentaram hits de toda a sua carreira, como “Quebre As Correntes”, “Pólo”, “Uma Música”, “Alguém Que Te Faz Sorrir” e até mesmo uma inusitada versão de “Radio Ga-Ga”, do Queen. Bem mais experientes que os meninos do Cine, mas não menos assediados, o Fresno fez um show redondo e, mesmo sob vários xingamentos dos marmanjos impacientes pelo término do show, o grupo cumpriu bem com seu papel e encerrou as atrações “teen” do dia de modo bastante profissional.
Mais uma pausa e, enquanto o palco era trocado para o show do Charlie Brown Jr., novamente fomos nos aventurar pela imensa área da Chácara do Jóquei. Um fato curioso era a diversidade de público que o evento abrangia, desde crianças de colo até mesmo pessoas idosas, em um clima bastante familiar, ainda mais pelo aconchegante gramado que cobria toda a extensão do local e que servia de piquenique para vários grupos de pessoas.
Após uma troca de palco um pouco mais demorada, é chegada a hora do Charlie Brown Jr. Liderada pelo mestre de cerimônias Chorão, a banda inicia seu show com a música “Não Deixe o Mar Te Engolir”, e a partir daí, apresenta uma porção de hits, como as músicas “Proibida Pra Mim”, Vícios E Virtudes", "Tudo Mudar", "Tudo Que Ela Gosta De Escutar", "Zóio De Lula", o single mais recente do grupo, “Me Encontra”, e até mesmo um cover de “Break On Through”, do The Doors. A banda, que está para lançar o CD “Camisa 10 (Joga bola até na chuva)”, aproveitou a ocasião para registrar imagens para o DVD que acompanhará este novo trabalho, previsto para ser lançado ainda este ano. Com vários discursos desnecessários do seu frontman Chorão, o grupo seguiu descarregando uma coleção de hits sob os olhares curiosos de várias celebridades que acompanhavam o show dos santistas, como os ex-BBBs Rafinha, Priscila e Naiá, atores globais, integrantes do Fresno, Cine e Nx Zero, e até mesmo o Jacaré, ex-trapalhão e dançarino do grupo É o Tchan!. Mesmo com tantas baixas sofridas nos últimos anos, o Charlie Brown Jr. prova que ainda é uma das maiores bandas do Brasil. Fim de show e a certeza de ter visto a apresentação nacional do evento, disparada.
Mais uma pequena pausa e, enfim, é chegada a hora de eu presenciar a lenda do hardcore californiano, Face To Face, novamente em solo brasileiro. E sem muita demora, Trever Keith, Scott Shiflett, Danny Thompson e o guitarrista substituto de Chad Yaro, Denis Hill, sobem ao palco e, de imediato, iniciam o show com o petardo “You've Done Nothing”, faixa de abertura do álbum mais punk rock da banda, “Don't Turn Away”, de 1992. O sentimento de emoção já vivido em Dezembro passado volta à tona e, no mesmo ritmo das imensas rodas que se abriam na pista, os californianos disparavam clássicos, como “Struggle", "Bill of Goods", "You Lied", "Ordinary", "Blind", "What's In a Name?", e claro, o hino maior da banda,"Disconnected”, que só não fora executado de modo brilhante devido à falhas técnicas na guitarra do frontman Trever Keith.
A essa altura do campeonato os pré-adolescentes que foram ao festival só para ver as atrações “teens” deixaram o local, obviamente, deviam ter ficado impressionados com tamanha energia de um verdadeiro show de rock. Energia esta que não se transmite em apresentações dos seus ídolos, ou nem mesmo se compara a felicidade de se ganhar um prêmio na MTV.
E o show seguiu com mais clássicos, um apanhado das melhores composições de toda a carreira do grupo, como “Resignation", "The Devil You Know (God Is a Man)", "I Won't Lie Down", "Pastel", "The Take-Away", "I'm Not Afraid", "Velocity", "Complicated" e "Out of Focus”, formando, assim, um setlist semelhante ao do DVD/CD “Shoot The Moon”, lançado em 2005. No show dos californianos também foi possível visualizar alguns rostos conhecidos em meio ao delírio, como o skatista Sandro Dias, integrantes do CPM22 e o próprio vocalista do Charlie Brown Jr., Chorão, que cantava em coro os clássicos do grupo, claro, quando já estava mais pra lá de Bagdá. As últimas músicas do repertorio dos californianos foram “I'm Trying”, “I Want”, “A-OK”, e o encerramento ficou por conta de “Big Choice”, faixa do álbum de mesmo nome, lançado originalmente em 1994. Mas quem disse que o público estava satisfeito? Ao gritos de “Face To Face, Face To Face!!”, Trever Keith e sua trupe retornaram ao palco para o bis e mandaram a saidera, a música “It's Not Over”, deste mesmo disco. Pronto, a maratona que teve início em meio ao Sol ardente da tarde de sábado acabara nas primeiras horas do domingo, porém, com a felicidade nostálgica vivida mais uma vez.
Em sua terceira edição, o GAS Festival provou ser o melhor evento jovem realizado no país. Uma mistura de esportes radicais, música e cultura em mais de 12 de horas de muito entretenimento que fizeram a alegria de mais de 12 mil pessoas que passaram na Chácara do Jóquei neste dia 29 de Agosto. Que o evento entre para o calendário anual do cenário e, que em 2010, possa trazer mais algum nome de respeito da cena punk rock/hardcore mundial. Os saudosistas, como eu, agradecem!
GALERIA DE FOTOS
Video: Face To Face - "Ordinary"
|