* Fotos: Taiz Dering
Até o tempo colaborou para que a madrugada na Outs fosse quase tipicamente carioca no último sábado. Quase porque, se não tinha chinelão, areia e brisa do mar, pelo menos o casting foi composto só por três bandas do RJ, reunidas para promover o lançamento de "Já faz algum tempo", o mais novo EP do Zander - o segundo da curta, mas já bem sucedida carreira da banda. Fila gigante montada na porta, muitos amigos reunidos para curtir esta estréia em São Paulo.
A primeira da noite foi a recém-formada Malni, que leva o nome do baixista (ex-Noção de Nada). Não sei se é pelo pouco tempo, mas não soou ao vivo tão legal quanto no Myspace. Curiosamente, segue uma tendência (mais carioca talvez?) de formar trios como os conterrâneos Phone Trio, Deluxe Trio, Carbona, e até o próprio StripClub que viria na sequência. A expectativa era pelo fato de saber como é ao vivo mais uma banda de um ex-Noção. Mas, além disso, a ocasião foi um prato cheio para os órfãos fãs verem parte dos remanescentes se reunirem para os covers. E rolou no final "Copacabana" e "Distantes visões", com a participação do Bil (vocal Zander/também ex-Noção). Sons próprios como "No mar" e "Nem lá, nem cá", fizeram parte do set, mas, infelizmente deixou um pouco a desejar.
Divulgando o EP "Bourbon & Gasoline" lançado ano passado, a Stripclub chegou mandando som alto, distorcido e barulhento - instrumental de qualidade sem frescura ou com ninguém querendo bancar o virtuose e fazendo solos infinitos. Alguns problemas com ajustes no som e troca de cordas, mas nada que desabonasse a boa performance; um grauzinho a menos no volume e seria perfeito. "I'm leaving town", "Stone Cold Fox" e "Everything Burns" foram algumas que rolaram. Para quem não conhece, vale a pena procurar para ouvir.
Alta madrugada e a galera já ficava impaciente querendo logo ver, rever e ouvir o Zander e, enfim, matar as saudades desse tempo sem shows. A banda ficou sem tocar para produzir CD e essa ausência gera um trocadilho quase automático com o nome do EP. Já é praxe, inclusive.
Eu fui na aventura de sentir o impacto dos sons ao vivo, no desafio de ir escrever sem ter ouvido nenhuma nova antes e nem sequer saber os nomes das músicas. Abriram com a nova "Do the Shindo" que faz parte da coletânea Superfuzz, que reuniu algumas das bandas que produziram, ensaiaram ou gravaram no estúdio (também carioca) de mesmo nome e "Senso" essa sim do EP, já causando ótima impressão. Antes de "Pólvora", a única com videoclipe até agora, Bil (vocal) anunciou que o diretor George Queiroz (antigo parceiro dos caras) estava captando imagens para um próximo vídeo que será lançado em breve. A música? Surpresa. "Pegue a senha e aguarde", outra das novas, além de "Em construção", "Dezesseis" e "Depois da enchente", sempre lindona, foram as que rolaram na sequência. Cover? Sim, mas nada de Reffer ou R.E.M. Dessa vez foi "Aneurysm" do Nirvana. Foda!
Set longo, bem montado e só comprovou tudo que eu já tinha lido e ouvido falar sobre o lançamento: sons menos melódicos do que no EP anterior e resultado incrível ao vivo. Continuo afirmando que a banda é a grande (boa) surpresa de 2009 e só mostra que em tempos de sucessos voláteis, o Zander não é só a-banda-do-cara-que-tocou-naquela-outra-banda-que-você-curtia e sim, algo que veio pra ficar e sem precisar provar nada para conquistar seu espaço. Que seja assim e por muito tempo.