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14/05/2009 | por Mayã Furtado
Inspirados por seus ídolos, os cariocas da Phone Trio admitem que compor em inglês fecha algumas portas aqui, mas sua principal intenção é fazer sucesso lá fora, viver o sonho californiano e, principalmente, se divertir e fazer as pessoas felizes com suas músicas. ..................................................................................................................
De onde surgiu a idéia de criarem uma banda voltada para o pop punk, no Rio de Janeiro, cidade dominada pelo funk, pagode e costumes praieiros?
Mateus: Veio de nossa influência dos anos 90. Eu andava de skate todos os dias, e o punk rock fazia parte da minha vida. Quando o Sal me disse que queria montar uma banda nessa linha californiana, a que mais gosto, topei na hora.
Sal: Era um projeto que eu sempre quis fazer. Desde que comecei a escutar Ataris, No Use For A Name e etc que eu venho escrevendo músicas no gênero, daí eu tinha uma penca de músicas e sem banda pra tocá-las. Então resolvi correr atrás da galera pra tocar o projeto.
Quais são suas principais influências musicais?
Mateus: The Beatles, No Use For a Name, NOFX, Mxpx, The Ataris, Get up Kids, Lagwagon, Bad Religion...
Sal: The Ataris, No Use For A Name, Green Day, Johnny Cash, Louis Prima.
Hugo: Blink 182, Face to Face, Green Day, NOFX, All Time Low, The Rocket Summer e muito mais…
Compor em inglês abre caminhos para uma carreira internacional. A busca por novos territórios foi um dos motivos por comporem somente em inglês?
Sal: Foi sim, a idéia sempre foi tentar entrar no mercado gringo. A gente fica aqui ouvindo tudo que sai de novo por lá e pensando "pô, como seria muito foda estar nessa cena..." e no final das contas ninguém tenta se inserir, ninguém arrisca. Sempre foi meu sonho assinar com um selo californiano, tocar na Warped Tour e viver de música nessa cena que eu acompanho desde moleque. Agora a gente tá correndo atrás dele. Mas outro dos grandes motivos é que eu simplesmente tenho mais facilidade com o inglês mesmo. Compondo em português é muito fácil cair na breguice, até porque o pessoal do rock estereotipa tanto as coisas que qualquer coisinha pode ser digna de chacota se tiver uma palavra meio funkeira ou um vocalize meio Jorge Vercilo... Em inglês não tem essas coisas. Pra mim é mais gostoso escrever e cantar em inglês e abre tantas portas no mercado gringo quanto as que fecham aqui no mercado nacional.
E sinceramente, o mercado nacional anda tão fuleiro - graças à meia-dúzia de gravadoras que impõem o que o povo vai ouvir e têm medo de guitarra e apreço por rimas pobres e “forçassões de barra Elisescas” - que eu nem me incomodo de não ter espaço por cantar em português. Num mercado aonde só se ouve melodias boas em estilos marginalizados pela sociedade como o sertanejo e o pagode, alguma coisa tem que estar errada.
Vocês recentemente fizeram uma turnê na Argentina, como foi tocar para um público de outro país? Foram bem aceitos?
Mateus: Foi SENSACIONAL! Respeito máximo! Todos lá foram mega receptivos, nos ajudaram em tudo e conseguimos vender todo o nosso merch. O mais legal é que formamos uma nova família lá, o pessoal do Arritmia. Amamos tudo e esperamos fazer mais uma viagem dessa em breve.
Qual a importância da divulgação pela internet para a Phone Trio?
Mateus: TODA! Uma banda que canta em inglês e busca o mercado internacional precisa investir 100% na internet. Através desta ferramenta conseguimos chegar a lugares que nunca imaginaríamos que poderiam ouvir nossa música, como o Japão.
Sal: A internet sem dúvidas é a ferramenta mais importante pra música desde a sua popularização. Nos últimos 10 anos, graças a esse advento, conheci todas as minhas bandas favoritas, todas as minhas influências principais e não deixei de comprar discos por causa disso. Graças à internet conseguimos atingir mais de 50 mil pessoas em uma semana com o apoio do PureVolume, divulgar nosso EP virtual em 4 continentes e espalhar nosso som pelo mundo. Acho que qualquer músico que fale que a distribuição de músicas via internet é um problema está é de rabo preso com alguma gravadora e prefere continuar nadando no esquema sujo que inunda o mercado fonográfico há décadas.
Hoje em dia, muitas bandas de rock estão saindo do underground e assinando com gravadoras, aparecendo na mídia popular. A Phone Trio possui esses objetivos?
Mateus: Nós queremos tocar e conseguir viver com a grana de nossa música, assinando ou não.
Sal: Pois é, só queremos espalhar o nosso som pelo mundo, entrar pro circuito que a gente acompanha desde moleque, sendo assinado com uma major ou não. De preferência não.
Como foi a gravação do clipe de “Crystal Clear”, no mínimo divertida, né?
Mateus: Muita cerveja, rock e histórias incríveis, hahahaha. Foi uma festa no sítio da família do Sal. Nós alugamos um ônibus e colocamos vários amigos dentro... O que deu isso? O clipe descreve bem, hahaha.
Vocês são conhecidos pelas letras divertidas e shows energéticos, qual a importância de manter esse espírito, mesmo levando a carreira a sério?
Mateus: Nós somos pessoas que amamos nos divertir. Quando viajamos só nós 3 por dias e dias nunca brigamos, é sempre um clima de família e fanfarra. Queremos que todos se divirtam nos shows e saiam mais felizes com um sorriso no rosto! Nossa seriedade está baseada na nossa organização e preocupação com a imagem da banda e divulgação, o público não precisa ter acesso a esta parte, eles tem é que dançar e curtir!
Poderiam deixar um recado para os leitores do ValePunk?
Mateus: Valeu pelo espaço mais uma vez!!! Obrigado ao Dario (um membro de honra da banda) e a Mayã!!!
Sal: Nunca desistam dos seus sonhos, não comam animaizinhos e baixem música!
Hugo: Muito obrigado pelo apoio e pelo carinho sempre. Se estamos tocando e fazendo rock, vocês tem grande participação nisso.
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