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Forfun

05/05/2009 | por Gustavo Pelogia

Os tempos de namorinho na praia ficaram para a história. Depois de dois discos neste clima adolescente, o Forfun inverte o caminho do sucesso e quebra conceitos com o novo disco, "Polisenso". E o papo não fica só nas aparências. Conversamos com o vocalista/guitarrista Danilo Cutrim, pouco antes do lotadíssimo show do ABC Pró Hc, em São Bernardo do Campo, no inicio de abril. Com vocês, o novo Forfun.

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Conheci o Forfun alguns anos atrás e achava a banda um saco. Mas quando ouvi o "Polisenso", fiquei pasmo, achei genial. É uma nova banda, não é?

Disparamos uma metralhadora de influências musicais, de coisas que tentamos agregar. Nós temos outros dois discos: um gravado quando tínhamos 17 anos e o “Teoria Dinâmica...” com o Liminha, quando começamos a nos tornar profissionais e tivemos com aquele lance de terminar ou largar faculdade, largar empregos, tivemos pouco tempo para fazer novas composições. Regravamos muitas coisas, então até ano passado, com 24, 25 anos, nossas músicas eram as que fizemos com 17 anos de idade.

Esse disco foi a nossa oportunidade de mostrar a dedicação que tivemos a música nos últimos anos. Não sei se o que você fez foi um elogio, mas fiquei feliz de ouvir.

Mas na época do Teoria você já pensava “tô tocando essas músicas, mas quero tocar outras”?

A gente adora as músicas antigas. Mas com o tempo, uma letra ou outra, coisas como “vai tomar no cu”, eu não gostava mais de cantar, então deixava para o público. Sempre iremos tocar as músicas antigas, "Hidropônica" e "História de Verão", por exemplo, eu gosto muito.

E essas novas influências, quais são?

Musicalmente, nós ouvimos muito Bob Marley, Peter Tosh, dub jamaicano, reggaeton, James Brown, Red Hot Chili Peppers, Sublime. Eu também conheci muita coisa brasileira. Os Novos Baianos, tem muita gente nova que não dá valor, que pensa “ah, um bando de doidões da tropicália”, mas eles são incríveis, as guitarradas do Pepeu Gomes são absurdas. Ouvimos também muito Jorge Ben Jor, Tim Maia...

Para as letras, lemos "Dias abertos da América Latina", do Eduardo Galeano, que é um livro que todo mundo que pudesse, deveria ler. Lemos o "O Tao da Física", de Fritjof Capra e também Ocho. Tem uma letra que dizemos “tanto os monges tibetanos quanto os físicos quânticos concordam, pode crer”. São coisas que estamos começando a entender e tentamos falar alguma coisa. A sociedade hoje vive uma disputa entre ciência e espiritualidade, mas na verdade não é para brigar, tudo coincide.

Você acha que o público de vocês vai entender essas novas letras?

Acredito que sim. Esse disco foi surpreendentemente aceito pela galera mais nova. Esse lance de entender uma música, pode ser prepotente da minha parte querer que alguém entenda exatamente o que aquilo representa pra mim. Uma mesma frase ao longo da tua vida pode ter significados diferentes. Mas pelo que vejo, as pessoas tem buscado as nossas referências. Por mais de que um milhão de pessoas, uma busque, já vale a pena.

Por que vocês voltaram a ser independentes?

São dois motivos simples. Primeiro, rolou uma incompatibilidade de tempo com o Liminha. Nós queríamos lançar o disco e ele foi chamado para fazer várias coisas. Mas já ia completar três anos que não tínhamos nada novo, mas numa boa. Nós somos independentes, mas várias pessoas estão associadas a nós. Temos produtor e pessoas que trabalhar para nós. Somos independentes, mas bem estruturados. Fomos “do lado de lá” e voltamos mais maduros. Estamos muito felizes com tudo, o disco chegou a 500 mil downloads, os shows de lançamento no Rio e Porto Alegre foi ótimo e tenho certeza que o de São Paulo também será.

 
 

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