home / entrevistas / exibe entrevista

Entrevistas

Clearview



22/02/2012 | por Andréa Ariani

Em 2012 eles comemoram uma década de estrada fazendo hardcore pesado, rápido e sem firula. Dez anos fortalecendo a cena brasileira do estilo. Nesse período, além de dividir o palco com bandas como Madball e Agnostic Front, foram duas demos e dois discos. Um ano depois da boa resposta de "Love it or leave it" de 2009, sai "Pure Mayhen" e consolida o trabalho do quarteto paulistano formado por Henrique (vocal), Thiago (baixo), Caio (guitarra) e Danilo (bateria). Ainda este ano, muitas novidades estão por vir. Por isso, o ValePunk conversou com o vocalista Henrique para saber mais sobre shows e próximos planos dessa máquina de fazer música chamada Clearview.



O "Pure Mayhen" saiu virtual em 2010, em 2011 o lançamento físico. Qual o caminho que o disco segue agora?

Henrique - O disco Pure Mayhem saiu em novembro de 2011 pelas gravadoras Caustic Recordings e Hearts Bleed Blue. A turnê de lançamento do disco começará agora no primeiro semestre de 2012. Faremos uma turnê nacional passando por algumas cidades que fazem parte do eixo underground brasileiro e tentaremos tocar em outras cidades que ainda não fazem parte desse eixo. É sempre bom lembrar que queremos levar música pesada para todas as cidades que estiverem dispostas a nos ouvir. Provavelmente esticaremos essa turnê até o Chile e Argentina.
 
Quanto tempo levou e como foi a produção desse trabalho mais recente?

Na verdade, o processo de composição foi bem rápido. Conversamos entre nós e chegamos à conclusão que para a realização desse novo registro, tínhamos que trabalhar com pessoas que deveriam entender as nossas ideias e principalmente gostar do som que fazemos. Cogitamos alguns nomes de peso do cenário nacional para trabalhar conosco, mas dai percebemos que seria mais viável trazer um amigo nosso que é estrangeiro e trabalha ´full time´ com esse tipo de coisa.Decidimos que trabalhar com o Nick Jett (produtor e baterista do Terror/Piece By Piece). Seria talvez uma experiência legal para nós, porque o cara vive em turnês mundiais e todos os trabalhos que ouvimos que ele participou como engenheiro de som, técnico ou qualquer outra coisa era exatamente o que gostaríamos de ter conosco. Agregar o know-how e a vivência dele dentro do nosso universo musical. A produção foi acima do que imaginávamos! O cara tem o ´feeling´ para gravar bandas de qualquer gênero. Ficamos admirados com o resultado final. Fizemos toda a pré e pós-produção com o Nick e quando finalizamos essa etapa o Nick fez uma ponte para masterizarmos o disco com o Matt Hyde. Pra quem não conhece o cara, ele ganhou premiações por  ter trabalhado e produzido nomes como: Slayer, No Doubt, Pulley, Sum 41, Hatebreed. Sem sombra de dúvidas foi algo surreal para nós ter pessoas com tal calibre trabalhando conosco neste disco.
 
Sendo esse o segundo full lenght, o que vocês sentiram, apesar de pouco tempo de diferença de lançamento, que houve de evolução na banda de um disco pra outro?

Todo processo de gravação sempre te agrega mais conhecimento naquilo que você faz. Pelo menos para nós que participamos desse processo, aprendemos muitas coisas importantes, como: trabalhar com prazos, respeitar prazos, estudar e pensar nas linhas musicais que você pretende colocar na hora da gravação. Tudo é muito bem organizado e preciso. Ninguém é musico profissional ou estudou musica, somos pessoas do underground que cresceram ouvindo musica de qualidade. Nos esforçamos e fizemos o que nos agrada. Acredito que a fórmula essencial para curtir isso tudo, seja se divertir o tempo todo. Não sentimos nenhuma diferença em relação à musicalidade porque continuamos tocando o mesmo som que sempre tocamos.

E a capa? De quem foi a ideia, produção e por que justo a foto de um terminal de ônibus?

(risos) Essa capa deu muito assunto na hora da escolha. A ideia principal desse disco era mostrar o CAOS de São Paulo, a ideia partiu de três membros da banda. Saímos com um amigo nosso que é fotografo (o Wander Willian, também conhecido como Deco) para registrarmos coisas de São Paulo. Não queríamos mostrar as coisas belas e falsas de São Paulo. Nossa intenção era mostrar algo caótico mesmo e nada mais do que justo tirar uma foto no Terminal Bandeira. Ali é onde o caos se estabelece todos os dias (risos). Nós gostamos muito do material que o Wander conseguiu captar e depois conversamos com um amigo nosso que trabalha como designer (Antônio Augusto). Daí foi a ideia da foto + a arte visual do Antônio. Curtimos demais.

Muitas das músicas novas fala sobre estar perdido, correr em círculo, estar no lugar errado. Isso é autobiográfico? É direcionado a alguém ou algo específico?

Eu falo por mim. Toda vez que eu escrevo algo, geralmente tento associar coisas do meu cotidiano ou coisas que passei. Às vezes é autobiográfico, às vezes são pensamentos que eu gostaria de compartilhar com alguém. Muitas pessoas acabam se identificando com as coisas que você escreve, porque provavelmente elas estejam passando pela mesma situação que você esteja enfrentando.
 
Vocês tem mesmo esse planejamento de não dar tanto intervalo muito grande entre um disco e outro? São quase 30 músicas num período de dois anos!

É um processo natural para nós. Não somos uma banda ou projeto de "estúdio". Queremos tocar, compor, viajar e gravar. Temos muitas ideias e gostamos de coloca-las em pratica. Por exemplo, quando terminamos o Pure Mayhem, ficamos um bom tempo sem pensar em fazer musica até surgir novas ideias. Quando as ideias surgiram, tudo conspirou para que entrássemos novamente em estúdio e gravássemos novos sons. Opa, eu disse isso? Bem, agora já era (risos). 2012 lançaremos um registro novo. Já temos todas as músicas gravadas. Fiquem atentos nas informações da banda.
 
Algumas reviews que saíram do Pure mayhem diziam que o disco está mais bruto do que o primeiro. Vocês concordam, foi intencional?

Na verdade, ficou bem mais pesado se comparado ao Love it or Leave it.Gravamos o que fizemos, saiu bem mais pesado, mas sem perder a identidade da banda. Toda banda quando entra em estúdio pretende gravar algo melhor do que já gravou. A nossa intenção era gravar um disco veloz, agressivo e pesado. Muitas pessoas que ouviram, gostaram do que ouviram. O mesmo cara que gosta do Love it or Leave it, é o mesmo cara que gosta do Pure Mayhem. Não foi nada intencional, simplesmente as músicas saíram desse jeito. Gravamos e curtimos os sons.
 
Vocês acreditam que experiências como a tour com o Madball e Agnostic Front em 2009 ajudaram nessa evolução no som do Clearview?

Absolutamente não. Gostamos das bandas e dos discos clássicos que essas bandas gravaram, mas excursionar com os caras não agregou em nada na parte musical.Aprendemos algumas coisas em relação a parte de cronogramas e equipamentos musicais. Essas bandas já atingiram o nível profissional. São bandas grandes com anos de estrada e que continuam perpetuando o que fazem de melhor. Temos que reconhecer se espelhar nisso.
 
E videoclipe, planos de gravar algum?

Com certeza, estudamos algumas propostas e estamos em fase de colocar algumas ideias em ordem para gravar o nosso primeiro videoclipe. Convidamos alguns amigos para trabalhar conosco nesse projeto, temos certeza que será muito divertido. Queremos fazer algo com qualidade. Hoje esta muito mais fácil ter acesso a equipamentos, etc. Temos bons amigos que trabalham na área, então acreditamos que temos condição de fazer algo simples, divertido porém com qualidade legal.
 
Sou só eu ou muita gente mesmo não sabe ou se ligou o que significa aquele “NP” depois do nome da banda que aparece na página oficial de vocês no Facebook?

Muitas pessoas realmente não sabem o significado, mas NP significa NASTY POSSE. Foi um movimento que surgiu nos anos 2000 em diferentes países. É uma historia é muito grande para contar (risos).Deve ter talvez alguma coisa no Google. Procurem algo sobre mental crew e Cali-Dome.
 
Muitas bandas de metal tem causado polêmica falando da própria cena e depois de anos de janela criticando o modo como as coisas acontecem por aqui. Nessa vertente do hardcore extremo como vocês, o One true reason, Paura, Questions, Confronto, estão todos fazendo shows fora e dentro do país, lançando discos, produzindo. Vocês acreditam que essa é a melhor fase do estilo no Brasil?

Na verdade nunca houve uma fase boa, existiram, sim, fases difíceis. Eu me lembro como era difícil ter acesso a informação, não existia Internet, então tínhamos que trocar cartas e fitinhas K7. Hoje em dia, as coisas funcionam muito mais rápido.A velocidade nas informações é algo que facilitou muito para quem esta dentro do underground. Em relação a fazer shows, ainda há bons produtores e produtores picaretas. É muito importante saber com quem você esta lidando para não haver nenhum tipo de desconforto.
 
Algum plano de tocar fora em 2012 ou algo especial já que a banda completa 10 anos neste ano?

2012 já começou e tocaremos bastante. Temos alguns planos e pretendemos tocar o máximo possível e mostrar que o FAÇA-VOCÊ-MESMO, nunca e jamais morrerá. Haverá a Pure Mayhem Tour que possivelmente será levada para alguns países da América do Sul.No segundo semestre de 2012 sairá um material novo do Clearview que já esta praticamente finalizado.Há muitas coisas boas que rolarão nesse ano, não deixe de conferir o nosso bandpage no Facebook (www.facebook.com/clearviewnp).



Últimas entrevistas



01/03/2013Alex Kacttus
04/02/2013Bullet Bane
04/07/2012Forfun
14/06/2012"Garotas da Cena" com Marly (No Sense) e Nata de Lima (Soco na Fuça / Manger Cadavre?)
22/05/2012Juninho (Ratos de Porão)
26/04/2012Blackjaw
27/03/2012Paura
13/03/2012Mozine (Läjä Records)
07/03/2012Ponto Nulo No Céu
02/02/2012Hunger United

promoções

Nenhuma promoção no momento.

informativo

Cadastre-se no informativo do ValePunk e fique por dentro sobre as promoções e novidades do site.
cadastrar

serviços